PADRÃO REATIVO Por Julio Cavani No projeto “Padrão Reativo”, Christina Machado, José Paulo e Maurício Castro agem de forma independente, mas trabalham coletivamente. Compartilham procedimentos, materiais e técnicas em comum e ao mesmo tempo reforçam suas individualidades autorais. As obras reunidas na exposição são produzidas em cerâmica vitrificada, são composições pictóricas desenhadas e pintadas sobre quadrados bidimensionais a serem livremente montados e recombinados, semelhante ao que ocorre com azulejos ou ladrilhos. Pequenas placas de argila manufaturadas recebem pinturas, manchas e desenhos produzidos pelos artistas com tintas formadas por pigmentos coloridos misturados a micropartículas de vidro. São levadas ao forno, onde adquirem um aspecto reflexivo, uma textura orgânica e bonitos acidentes físico-químicos provocados pelo calor intenso, alguns mais intencionais e outros mais espontâneos. São infinitas as possibilidades de combinação e recombinação geométrica, que podem variar a cada apresentação, em forma de painéis de pequeno e médio porte. O título do projeto é poeticamente aberto. Reativos são os comportamentos das substâncias e materiais utilizados pelos artistas quando em contato com a alta temperatura. É uma busca pelo sublime em meio à ordem e vice-e-versa. Pode significar uma reação às padronizações (trazidas pelas linhas paralelas e perpendiculares), uma alegoria para os contrastes do mundo, ocasionados por lógicas organizacionais do cotidiano moderno em confronto com a organicidade da natureza ou uma tentativa de harmonizar o caos. A referência figurativa ao corpo humano é mais explícita nas peças montadas por Christina Machado a partir de marcas feitas com as próprias mãos da artista, que se repetem indefinidamente e transmitem a afetividade dos encontros, das coletividades, abraços e relações familiares, especialmente as maternais. Na trajetória artística dela, o barro e a vida estão sempre em simbiose. José Paulo é mais metafísico com suas explosões, linhas e elementos circulares que podem remeter a estruturas atômicas, abstratas, moleculares ou astronômicas. Maurício Castro exercita a criação de formas biológicas fictícias que se ramificam, se expandem e percorrem caminhos pelas paredes. É como se Christina, José Paulo e Maurício desenvolvessem um método, um dispositivo criativo a ser seguido simultaneamente enquanto trabalham juntos. Nos últimos dois anos, uma vez por semana, o grupo tem se reunido no Atelier das Águas Belas, no Recife. Nessa livre troca de conhecimentos e experimentos, o trio chega a resultados imprevisíveis e diferentes entre si, cada um com seus estilos individuais bem particulares.